sábado, 28 de agosto de 2021

 



 

PARÓQUIAS DE NISA 

 

Domingo, 29 de agosto de 2021

 

XXII domingo do tempo comum

 

 

 

LITURGIA

 

 

DOMINGO XXII DO TEMPO COMUM

Verde – Ofício do domingo (Semana II do Saltério). Te Deum.
+ Missa própria, Glória, Credo, pf. dominical.

L 1 Deut 4, 1-2. 6-8; Sal 14 (15), 2-3a. 3cd-4ab. 4c-5
L2 Tg 1, 17-18. 21b-22. 27
Ev Mc 7, 1-8.
14-15. 21-23

* Proibidas as Missas de defuntos, exceto a exequial.
* Na Congregação dos Padres Marianos da Imaculada Conceição – Aniversário da renovação da Congregação (1909).
* Na Congregação das Irmãzinhas dos Pobres – I Vésp. de S. Joana Jugan.
* II Vésp. do domingo – Compl. dep. II Vésp. dom.

MISSA

 ANTÍFONA DE ENTRADA Salmo 85, 3.5
Tende compaixão de mim, Senhor,
que a Vós clamo o dia inteiro.
Vós, Senhor, sois bom e indulgente,
cheio de misericórdia para aqueles que Vos invocam.

ORAÇÃO COLECTA
Deus do universo, de quem procede todo o dom perfeito,
infundi em nossos corações o amor do vosso nome
e, estreitando a nossa união convosco,
dai vida ao que em nós é bom
e protegei com solicitude esta vida nova.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

LEITURA I Deut 4, 1-2.6-8
«Não acrescentareis nada ao que vos ordeno...
mas guardareis os mandamentos do Senhor»


Leitura do Livro do Deuteronómio

Moisés falou ao povo, dizendo: «Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais. Não acrescentareis nada ao que vos ordeno, nem suprimireis coisa alguma, mas guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus, tal como eu vo-los prescrevo. Observai-os e ponde-os em prática: eles serão a vossa sabedoria e a vossa prudência aos olhos dos povos, que, ao ouvirem falar de todas estas leis, dirão: ‘Que povo tão sábio e tão prudente é esta grande nação!’. Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos? E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?».

Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL
Salmo 14 (15), 2-3a.3cd-4ab.5 (R. 1a)
Refrão: Quem habitará, Senhor, no vosso santuário? Repete-se
Ou: Ensinai-nos, Senhor: quem habitará em vossa casa? Repete-se

O que vive sem mancha e pratica a justiça
e diz a verdade que tem no seu coração
e guarda a sua língua da calúnia. Refrão

O que não faz mal ao seu próximo,
nem ultraja o seu semelhante;
o que tem por desprezível o ímpio,
mas estima os que temem o Senhor. Refrão

O que não falta ao juramento,
mesmo em seu prejuízo,
e não empresta dinheiro com usura,
nem aceita presentes para condenar o inocente.
Quem assim proceder jamais será abalado. Refrão


LEITURA II Tg 1, 17-18.21b-22.27
«Sede cumpridores da palavra»


Leitura da Epístola de São Tiago

Caríssimos irmãos: Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descem do Pai das luzes, no qual não há variação nem sombra de mudança. Foi Ele que nos gerou pela palavra da verdade, para sermos como primícias das suas criaturas. Acolhei docilmente a palavra em vós plantada, que pode salvar as vossas almas. Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, pois seria enganar-vos a vós mesmos. A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus, nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo.

Palavra do Senhor.

ALELUIA Tg 1, 18
Refrão: Aleluia. Repete-se
Deus Pai nos gerou pela palavra da verdade,
para sermos como primícias das suas criaturas. Refrão


EVANGELHO Mc 7, 1-8.14-15.21-23
«Deixais o mandamento de Deus
para vos prenderdes à tradição dos homens»

e vida, e não apenas letra, que, por si só, pode matar.

 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos

Naquele tempo, reuniu-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. Viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. – Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem ter lavado cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre –. Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?». Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão e começou a dizer-lhe: «Escutai-Me e procurai compreender. Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem do interior do homem e são eles que o tornam impuro».

 Palavra da salvação.

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS
Santificai, Senhor, a oferta que Vos apresentamos
e realizai em nós, com o poder da vossa graça,
a redenção que celebramos nestes mistérios.
Por Nosso Senhor.


ANTÍFONA DA COMUNHÃO Salmo 30, 20
Como é grande, Senhor,
a vossa bondade para aqueles que Vos servem!


Ou
Mt 5, 9-10
Bem-aventurados os pacíficos,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça,
porque deles é o reino dos céus.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
Senhor, que nos alimentastes com o pão da mesa celeste,
fazei que esta fonte de caridade
fortaleça os nossos corações
e nos leve a servir-Vos nos nossos irmãos.
Por Nosso Senhor.

 

 

MÉTODO DE ORAÇÃO BÍBLICA:

 

 

1. Leitura:  - Lê, respeita, situa o que lês.

     - Detém-te no conteúdo de fé e da passagem que leste 

2. Meditação:  - Interioriza, dialoga, atualiza o que leste.

     - Deixa que a passagem da Palavra de Deus que leste “leia a tua vida” 

3. Oração:  - Louva o Senhor, suplica, escuta.

     - Dirige-te a Deus que te falou através da Sua Palavra.

LEITURAS:  Deut 4, 1-2.6-8: Já à vista da Terra Prometida, Moisés recorda ao Povo de Israel a conveniência em observar a Lei de Deus, a sua perfeição e superioridade em comparação com as leis dos outros povos. A lei de Deus é a única luz que ensina aos homens o caminho da vida autêntica e verdadeiramente feliz. Mas essa lei procura antes de mais educar o coração do homem.

Tg 1, 17-18.21b-22.27: Começamos hoje a ler, e leremos ainda durante mais alguns domingos, a Epístola de S. Tiago. A passagem que hoje escutamos diz-nos que tudo o que há de bom vem de Deus, e Deus tudo criou pela sua palavra. Esta palavra continua a fazer ouvir-se no mundo e como que lançou em nós as suas raízes. Por isso, a nossa vida cristã consistirá em fazer que essa palavra desabroche em nós, dando muito fruto.

Mc 7, 1-8.14-15.21-23: A palavra de Deus pode vir a ser adulterada pelas palavras dos homens, mesmo quando pretendem explicar e aplicar a palavra de Deus. O Senhor adverte-nos para que saibamos ler a palavra de Deus à luz do Espírito de Deus, que a inspirou, e não com a visão estreita e acanhada, e, por vezes, interesseira, do nosso espírito, demasiado humano e limitado. A palavra de Deus é espírito e vida, e não apenas letra, que, por si só, pode matar.


AGENDA DO DIA:

09.30 horas: Missa em Amieira do Tejo.

10.00 horas: Missa em Arez

10.45 horas: Missa em Tolosa

11.00 horas: Missa em Nisa

12.00 horas: Missa em Alpalhão.

12.00 horas: Missa em Gáfete

15.30 horas: Celebração da Palavra em Montalvão

15.30 horas: Missa no Cacheiro

15.30 horas: Missa no Arneiro

17.15 horas: Funeral em Tolosa.

 

 

A VOZ DO PASTOR:

 

 

 

O 1.º DE SETEMBRO E A PEGADA ECOLÓGICA

 

Vivemos um tempo de grande apreço pelos direitos, e bem. Mas direitos e deveres são correlativos, interdependentes. Assim como ninguém deve negar aos outros os seus direitos, também há deveres que ninguém pode negar a si mesmo, não os pode mandar às malvas, nem adiar ou delegar. São imperativos categóricos para todos e cada um. E hoje refiro-me ao dever da educação ou conversão ambiental. A Pegada Ecológica per capita em Portugal, segundo o Relatório Planeta Vivo, aumentou significativamente entre 2018 e 2020. Depois de ter ocupado o 66.º lugar mundial, o país posiciona-se agora, infelizmente, no 46º lugar do ranking mundial. Isto significa que são necessários 4,1 hectares de terra por pessoa, ou seja, para manterem o seu atual estilo de vida, os portugueses precisam de 2,52 planetas.

Como sabem, o Papa Francisco, em 6 de agosto de 2015, instituiu, na Igreja Católica, o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. E ao estabelecê-lo no 1º dia de setembro, fê-lo num gesto verdadeiramente ecuménico. Já em 1989, o Patriarca ecuménico Bartolomeu I o tinha estabelecido para a Igreja Ortodoxa precisamente nesse dia. A par, Francisco providenciou para que se fizessem  os contactos necessários com o Patriarcado Ecuménico e outras realidades ecuménicas, para que esse Dia Mundial se tornasse, de facto, um caminho para todos os que creem em Cristo e se cuidasse também duma possível coordenação com as iniciativas do Conselho Mundial de Igrejas. Será um ‘Tempo da Criação’ que muitas comunidades prolongam até ao dia 4 de outubro, dia da Festa de São Francisco de Assis.

Sendo um dever que não pode ser opcional nem secundário, Francisco reconhece que alguns cristãos, até muito comprometidos e piedosos, frequentemente escarnecem das preocupações pelo meio ambiente, outros não se decidem a mudar os seus hábitos, falta-lhes a conversão ecológica e a consciência de que somos cuidadores da obra de Deus (cf. LSi, 217). Ele pede aos cristãos que, neste dia, “em harmonia com as exigências e as situações locais, a celebração seja devidamente organizada com a participação de todo o Povo de Deus: sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis leigos”. E que se implementem “oportunas iniciativas de promoção e de animação, para que esta celebração anual seja um momento forte de oração, reflexão, conversão e uma oportunidade para assumir estilos de vida coerentes”.

Como cristãos – afirma Francisco – “queremos oferecer a nossa contribuição à superação da crise ecológica que a humanidade está a viver”. Coisa que não existirá verdadeiramente “sem uma moção interior que impele, motiva, encoraja e dá sentido à ação pessoal e comunitária. Temos de reconhecer que nós, cristãos, nem sempre recolhemos e fizemos frutificar as riquezas dadas por Deus à Igreja, nas quais a espiritualidade não está desligada do próprio corpo nem da natureza ou das realidades deste mundo, mas vive com elas e nelas, em comunhão com tudo o que nos rodeia (LSi, 216). A crise ecológica chama-nos, pois, a uma profunda e sincera conversão espiritual. Urge ouvir os gritos da Terra e o clamor dos pobres. A consciência da gravidade da crise cultural e ecológica precisa de traduzir-se em novos hábitos, precisa de uma verdadeira conversão ecológica. Não se trata de ideologizar o debate ambiental por má-fé ou ignorância, trata-se de lutar pela sustentabilidade ou sobrevivência. Não se trata apenas de filosofar ou denunciar o que está mal, trata-se de assumir atitudes diversas e, por exemplo, renunciar àquilo que o mercado oferece e promove compulsivamente como se nada tivesse a ver com isso. As mudanças nos hábitos de consumo são determinantes. De nada serve mostrar grande sensibilidade ecológica e lutar pela defesa do meio ambiente se se vive afogado em compras inúteis, gastos supérfluos e consumo obsessivo. Também não basta a informação científica e a existência de leis para limitar os maus comportamentos se as famílias, as escolas, as academias, as universidades, os meios de comunicação social, a catequese e todas as instâncias não se preocuparem com uma séria educação ambiental. É preciso adquirir convicções, vontade própria e motivações, virtudes sólidas, transformação pessoal, verdadeiro compromisso ecológico. Como afirma Francisco, “é muito nobre assumir o dever de cuidar da criação com pequenas ações diárias, e é maravilhoso que a educação seja capaz de motivar para elas até dar forma a um estilo de vida. A educação na responsabilidade ambiental pode incentivar vários comportamentos que têm incidência direta e importante no cuidado do meio ambiente, tais como evitar o uso de plástico e papel, reduzir o consumo de água, diferenciar o lixo, cozinhar apenas aquilo que razoavelmente se poderá comer, tratar com desvelo os outros seres vivos, servir-se dos transportes públicos ou partilhar o mesmo veículo com várias pessoas, plantar árvores, apagar as luzes desnecessárias… Tudo isto faz parte duma criatividade generosa e dignificante que põe a descoberto o melhor do ser humano” (cf. LSi, 211)

A disciplina e a sobriedade pessoal libertam, educam, constroem. Praticar maus hábitos só porque se olha para o lado e se presume que ninguém está a ver o mal que se faz, é hipocrisia refinada. “Não há criatura que possa esconder-se à presença de Deus. Tudo fica nu e descoberto aos olhos daquele a quem devemos prestar contas” (cf. Heb 4, 13).

A cidadania ecológica, se vive preocupada e denuncia a crise ambiental, não pode viver de braço dado com o desleixo individual em relação às pequenas ações. Qualquer gesto, por mais insignificante que nos pareça, pode marcar a diferença e contribuir para a melhoria da situação. A grandeza de cada um está em fazer com amor as mais pequeninas coisas de cada dia. O respeito pela natureza nasce e alimenta-se de pequenos gestos e atitudes. E ninguém pode crer, agir e fomentar a ideia de que a natureza sempre se renova ou regenera.

Assim como à política e à economia se pede que reconheçam os seus erros, mudem de direção e cuidem do bem comum, também não faltam conselhos sobre o que cada um pode e deve fazer no seu dia a dia.

Avaliando com seriedade o nosso desempenho nesse campo, vivamos o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, prolongando-o até ao dia 4 de outubro, dia da Festa de São Francisco de Assis.

Antonino Dias

Portalegre-Castelo Branco, 27-08-2021.

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

 



 

PARÓQUIAS DE NISA 

 

Sábado, 28 de agosto de 2021

 

Sábado da XXI semana do tempo comum

 

 

 

LITURGIA

 

 

Sábado da semana XXI

S. Agostinho, bispo e doutor da Igreja – MO
Branco – Ofício da memória.
Missa da memória.

L 1 1 Tes 4, 9-11; Sal 97 (98), 1. 7-8. 9
Ev Mt 25, 14-30

* Na Arquidiocese de Braga – Aniversário da Dedicação da Igreja Catedral: na Sé – SOLENIDADE; nas outras igrejas da Diocese – FESTA
* Na Diocese de Coimbra – S. Agostinho, bispo e doutor da Igreja, Padroeiro da Diocese – FESTA
* Na Diocese de Lamego – S. Agostinho, bispo e doutor da Igreja, Padroeiro secundário da Diocese – MO
* Na Diocese de Leiria-Fátima – S. Agostinho, bispo e doutor da Igreja, Padroeiro igualmente principal – FESTA
* Na Ordem Agostiniana – S. Agostinho, bispo e doutor da Igreja, Fundador da Ordem – SOLENIDADE
* Na Ordem Hospitaleira de S. João de Deus e na Ordem de São Domingos – S. Agostinho, bispo e doutor da Igreja – FESTA
* Nas Dioceses de Cabo Verde – S. Agostinho, bispo e doutor da Igreja – FESTA
* I Vésp. do domingo – Compl. dep. I Vésp. dom.

 

S. AGOSTINHO, bispo e doutor da Igreja

 

Nota Histórica:

Nasceu em Tagaste (África) no ano 354. Depois de uma juventude perturbada, quer intelectualmente quer moralmente, converteu se à fé e foi batizado em Milão por S. Ambrósio no ano 387. Voltou à sua pátria e aí levou uma vida de grande ascetismo. Eleito bispo de Hipona, durante trinta e quatro anos foi perfeito modelo do seu rebanho e deu lhe uma sólida formação cristã por meio de numerosos sermões e escritos, com os quais combateu fortemente os erros do seu tempo e ilustrou sabiamente a fé católica. Morreu no ano 430.

 

MISSA

ANTÍFONA DE ENTRADA Sir 15, 5
O Senhor deu-lhe a palavra no meio da assembleia,
encheu-o com o espírito de sabedoria e inteligência
e revestiu-o com um manto de glória.
Em África diz-se o Glória.


ORAÇÃO COLECTA
Renovai, Senhor, na vossa Igreja o espírito com que enriquecestes o bispo Santo Agostinho, para que, animados pelo mesmo espírito, tenhamos sede só de Vós, única fonte de sabedoria, e só em Vós, origem do verdadeiro amor, descanse o nosso coração. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


LEITURA I 1 Jo 4, 7-16
«Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós»


Leitura da Primeira Epístola de São João

 
Caríssimos: Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus; e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados. Caríssimos, se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e em nós o seu amor é perfeito. Nisto conhecemos que estamos n’Ele e Ele em nós: porque nos deu o seu Espírito. E nós vimos e damos testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. Se alguém confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. Nós conhecemos o amor que Deus nos tem e acreditámos no seu amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele.

Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 118 (119), 9 e 10.11 e 12.13 e 14 (R.12b)
Refrão: Ensinai-me, Senhor, os vossos mandamentos.

Como há de o jovem manter puro o seu caminho?
Guardando as vossas palavras.
De todo o coração Vos procuro,
não me deixeis afastar dos vossos mandamentos.

Conservo a vossa palavra dentro do coração,
para não pecar contra Vós.
Bendito sejais, Senhor,
ensinai-me os vossos decretos.

Enuncio com os meus lábios
todos os juízos da vossa boca.
Sinto mais alegria em seguir as vossas ordens
do que em todas as riquezas.

ALELUIA Mt 23, 9b.10b
Refrão: Aleluia Repete-se
Um só é o vosso Pai, o Pai celeste;
um só é o vosso mestre, Jesus Cristo. Refrão

EVANGELHO Mt 23, 8-12
«Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo»


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não vos deixeis tratar por ‘Mestres’, porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos. Na terra não chameis a ninguém vosso ‘Pai’, porque um só é o vosso pai, o Pai celeste. Nem vos deixeis tratar por ‘Doutores’, porque um só é o vosso doutor, o Messias. Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

Palavra da salvação.

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS
Ao celebrarmos o memorial da nossa salvação, humildemente Vos pedimos, Senhor, que este sacramento do vosso amor seja para todos nós sinal de unidade e vínculo de caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

ANTÍFONA DA COMUNHÃO cf. Mt 23, 10.8
Um só é o nosso Mestre, Jesus Cristo,
e todos nós somos irmãos.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
Santificai-nos, Senhor, por esta participação na mesa de Cristo, para que, como verdadeiros membros do seu Corpo, nos transformemos n’Aquele que recebemos. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

MÉTODO DE ORAÇÃO BÍBLICA:

 

 

1. Leitura:  - Lê, respeita, situa o que lês.

     - Detém-te no conteúdo de fé e da passagem que leste 

2. Meditação:  - Interioriza, dialoga, atualiza o que leste.

     - Deixa que a passagem da Palavra de Deus que leste “leia a tua vida” 

3. Oração:  - Louva o Senhor, suplica, escuta.

     - Dirige-te a Deus que te falou através da Sua Palavra.

LEITURAS:  


AGENDA DO DIA:

11.00 horas: Casamento em Gáfete

15.00 horas: Missa na Falagueira

16.00 horas: Missa no Monte Claro

16.00 horas: Missa no Pardo

18.00 horas: Missa em Alpalhão

18.00 horas: Missa em Nisa,

 

 

A VOZ DO PASTOR:

 

 

 

O DIALETO DOS PAIS E AS DITADURAS IDEOLÓGICAS

Ao longo da História sempre houve promotores de ditaduras e de colonizações culturais e ideológicas. Se não é aqui, é acolá ou mais além. Colonizações, ditaduras, autocracias, teocracias, totalitarismos, autoritarismos, despotismos e todos os quejandos, mesmo que entre si carreguem alguma diferença, venha o diabo e escolha, como soe dizer-se. A quem lhes resiste, impõe-se logo a lei da rolha, do desprezo ou da morte. Os seus promotores logo conseguem uma caterva de seguidores, alguns mais radicais do que eles, para engrossarem as hostes e fazerem valer o seu produto tóxico. Se não vencem pelo bom senso e pela força da razão, acham-se no direito de vencer pela razão da força e seus enfeites. Logo se esmeram em concentrar o poder, em subverter a ordem anterior, em suprimir os espaços de debate e decisão, em influenciar a comunicação social, o poder legislativo e judicial. A par, roubam a liberdade e tentam monopolizar o direito de pensar e decidir, anulam o passado e afunilam o ensino para desconstruir a linguagem, as instituições e a história. Usam a mentira floreada com rebuscado imaginário, afastam os profissionais dos empregos e lugares de prestigio, formatam, desenraízam os jovens das origens culturais e religiosas para, como afirma o Papa Francisco, os ‘homogeneizar’, transformando-os “em sujeitos manipuláveis feitos em série”, causando “uma destruição cultural, que é tão grave como a extinção das espécies animais e vegetais” (cf. CV185-186). Tudo, tudo serve de arma para levar a água ao moinho, mesmo que, para enfeitar todo esse processo, seja preciso borrifá-lo com algumas meias-verdades e alguns mecanismos democráticos. A sofreguidão pelo poder e o bullying ideológico e cultural são, muitas vezes, camaleonicamente apresentados como “saltos civilizacionais” ou como se de direitos humanos se tratasse.

A Sagrada Escritura também nos elucida sobre alguns desses artesãos da História. Sabemos quanto o Povo de Deus, e outros povos, ontem e hoje, sofreram e sofrem pelos desmandos colonizadores e totalitários de alguns dos seus líderes! Não só por ambição do poder ou por causas ideológicas e políticas, também por questões religiosas. Com uma diferença: enquanto, por causas ideológicas ou políticas, alguém, para defender a pele, possa, porventura, fraquejar e dizer que não ao que é sim, ou sim ao que é não, em questões religiosas não é bem assim. Com a fé em Deus, se é fé verdadeira e não meros sentimentalismos religiosos ou pieguices proselitistas, não se jogam interesses, a consciência da presença e a força de Deus levam a antes quebrar que torcer.

O rei Antíoco Epifânio, por exemplo, quis forçar os judeus a adotar os costumes, a cultura e mesmo a religião dos gregos. Para ser mais fácil, tentou subornar e convencer os mais influentes dos judeus a aderir às suas ordens, prometendo amizade e recompensa. A resposta, porém, foi imediata e firme: “Não! Nós não vamos obedecer às ordens do rei”. E se uma musculada perseguição caiu sobre eles, também aumentou e se organizou a resistência na firme convicção de que é “melhor morrer na batalha do que ficar a olhar a desgraça do nosso povo”. Ou, como mais tarde haveriam de dizer Pedro e os Apóstolos, “é mais importante obedecer a Deus do que aos homens” (cf. At 5, 29).

O tempo de perseguição religiosa, porém, é sempre palco de testemunhas radicais da verdade, é cenário de testemunhos heroicos até ao sacrifício da própria vida. É verdade que há “mártires” de muitas outras causas nobres, justas e necessárias, tornando-se inspiração para outros e aos quais muitos devem a liberdade e o bem estar social nesta vida. No entanto, a palavra “martírio” situa-se mais no contexto religioso, faz parte da sua gramática e significa testemunho, aponta para o supremo bem que é a vida eterna. Neste contexto, se a família dos Macabeus, no que respeita à fé, é digna de registo, o episódio duma família de sete filhos não o é menos. Num só dia, a mãe vê torturar e matar cada um dos filhos, à vez, até que, por fim, também ela é torturada e morta. Se há fanatismo religioso e odiosamente doentio que persegue e mata quem não acredita de igual forma, se há, até, quem, habilidosamente manipulado, se torne pessoa bomba (kamikaze) para maiores estragos, há, sem dúvida, nestes processos, muitas outras razões associadas como, por exemplo, fatores culturais, sociais, políticos, psicológicos... São atitudes que não se podem analisar de ânimo leve ou superficialmente. No entanto, e simplificando, uma coisa é perseguir e matar os outros, ou suicidar-se, usando até, ilegitimamente, o nome de Deus para o fazer, outra coisa é suportar com fortaleza o dom do martírio em fidelidade a Deus que é Amor e nos ama infinitamente. Mais tarde, perante tanta perseguição aos cristãos, Tertuliano haveria de dizer que “o sangue dos mártires é semente de cristãos”. Ainda mais perto de nós, São Óscar Romero, sentindo-se perseguido por fomentar a liberdade, a justiça e a paz entre o seu povo, havia dito: “o martírio é uma graça de Deus que eu acho que não mereço, mas se Deus aceita o sacrifício da minha vida, que o meu sangue seja uma semente de liberdade e o sinal de que a esperança será em breve realidade”. Foi assassinado pelo exército salvadorenho enquanto celebrava a Eucaristia em 24 de março de 1980. Hoje, se muitos cristãos continuam a dar um testemunho sem igual no quotidiano da sua vida familiar, social e laboral, outros continuam a dar o supremo testemunho do martírio em defesa da fé em Cristo Jesus, morto e ressuscitado, ao qual estão unidos pela caridade. Foi o que aconteceu, por exemplo, no Domingo passado, no Sudão do Sul. Quando regressavam a casa depois duma celebração numa paróquia dedicada a Nossa Senhora da Assunção, duas religiosas foram mortas numa emboscada.

Mas voltando àquela mãe, é extraordinária a sua coragem e o seu sentido de responsabilidade na educação e perseverança da fé dos filhos. Até ao último momento, amparada pela esperança que tinha no Senhor, e tanto quanto naquela circunstância o podia fazer, não se cansou de exortar os seus filhos a serem fiéis ao Senhor e a não obedecerem ao rei, a serem dignos dos seus antepassados e a reconhecerem Deus que a tudo deu origem. A atitude dos filhos, porém, se consola a mãe, enerva o rei até ao limite, que, aquando do momento da tortura ao último filho, pede mesmo à mãe que lhe dê conselhos para o demover e lhe salvar a vida. Inclinando-se para o filho, a mãe, ludibriando o rei, falou-lhe na sua própria língua, a qual o rei não entendia: “Eu te peço, meu filho: Contempla o céu e a terra e observa todas as coisas que neles há, reconhece que não foi de coisas existentes que Deus as fez e que também o gênero humano tem a mesma origem. Não temas este verdugo, mas sê digno de teus irmãos e aceita a morte, para que eu te reencontre com eles no dia da misericórdia”. Enquanto ela ainda falava, o menino reafirma corajosamente a sua fé, é torturado e morto. Depois dos filhos, foi a vez da mãe.

Em tempos, o Papa Francisco, referindo-se a esta tirânica colonização cultural e ideológica do rei Antíoco, destacava a atitude da mãe. A mãe falava “na língua dos pais”: falava em dialeto, e, por isso, o rei não entendia, o intérprete não compreendia». Hoje “estamos diante de muitas colonizações que querem destruir tudo e começar de novo». Apresentam novos «valores» e dizem que «a história começa aqui», o resto «passou». No entanto, “não existe colonização cultural alguma que possa vencer o dialeto», o dialeto “tem raízes históricas”, a memória e o dialeto defendem-nos sempre.

A fé também se transmite em dialeto, afirmou Francisco: “A fé verdadeira aprende-se dos lábios da mãe, o dialeto que só a criança pode conhecer». “Este é um exemplo do modo como as mães, as mulheres, são capazes de defender um povo, a história de um povo, os filhos: transmitir a fé» (cf. L’OR7.12.17).

Quão importante é a transmissão da fé em família, pela palavra e pelo testemunho, pela alegria com que se vive e pela forma de a traduzir em atitudes de vida!

Antonino Dias

Portalegre-Castelo Branco, 20-08-2021.

 

 

 

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

 



 

PARÓQUIAS DE NISA 

 

Sexta, 27 de agosto de 2021

 

Sexta-feira da XXI semana do tempo comum

 

 

 

LITURGIA

 

 

Sexta-feira da semana XXI

S. Mónica – MO
Branco – Ofício da memória.
Missa da memória.

L 1 1 Tes 4, 1-8; Sal 96 (97), 1 e 2ab. 5-6. 10. 11-12
Ev Mt 25, 1-13


* Na Ordem Agostiniana – S. Mónica, mãe de S. Agostinho – FESTA; I Vésp. de S. Agostinho.
* Na Arquidiocese de Braga (Sé) – I Vésp. do Aniversário da Dedicação da Igreja Catedral.

 

S. Mónica

 

Nota Histórica:

Nasceu em Tagaste (África) no ano 331, de uma família cristã. Ainda muito jovem foi dada em matrimónio a um homem chamado Patrício. Teve vários filhos, entre os quais Agostinho, por cuja conversão derramou muitas lágrimas e orou insistentemente a Deus. Exemplo de mãe verdadeiramente santa, alimentou a sua fé com uma vida de intensa oração e enriqueceu a com suas virtudes. Morreu em Óstia no ano 387.

 

MISSA

 

ORAÇÃO COLECTA
Senhor nosso Deus, consolação dos que choram, Vós que atendestes misericordiosamente as lágrimas de Santa Mónica pela conversão do seu filho Agostinho, concedei-nos, pela intercessão da mãe e do filho, que saibamos chorar os nossos pecados para alcançar a graça do vosso perdão. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


LEITURA I Sir 26, 1-4.16-21 (gr. 1-4.13-16)
«Como o sol que brilha no alto dos céus,
assim é a beleza da mulher virtuosa, como ornamento da sua casa»


Leitura do Livro de Ben-Sirá

Feliz o homem que tem uma mulher virtuosa, porque será dobrado o número dos seus dias. A mulher forte é a alegria do seu marido: ele passará em paz os anos da sua vida. A mulher virtuosa é uma sorte excelente: é o prémio dos que temem o Senhor. Rico ou pobre, o seu coração será feliz e o seu rosto mostrar-se-á sempre alegre. A graça da esposa diligente alegra o seu marido e fortalece-o a sua sabedoria. É um dom do Senhor a mulher sensata e silenciosa: nada se compara à mulher bem educada. A mulher santa e honesta é uma graça inestimável e não tem preço uma alma casta. Como o sol que brilha no alto dos céus, assim é a beleza da mulher virtuosa, como ornamento da sua casa.

Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 130 (131), 1.2 e 3
Refrão: Guardai-me na vossa paz, Senhor.
Ou: Guardai-me junto de Vós, na vossa paz,
Senhor.

Senhor, não se eleva soberbo o meu coração,
nem se levantam altivos os meus olhos.
Não ambiciono riquezas,
nem coisas superiores a mim.

Antes fico sossegado e tranquilo,
como criança ao colo da mãe.
Espera, Israel, no Senhor,
agora e para sempre.

ALELUIA Jo 8, 12b
Refrão: Aleluia. Repete-se
Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor:
Quem Me segue terá a luz da vida. Refrão

EVANGELHO Lc 7, 11-17
«No sepulcro do seu pensamento, ela apresentava-me a Vós,
para que dissésseis ao filho da viúva: ‘Jovem, Eu te digo: levanta-te’»
(S. Agostinho, Conf. l. VI, c.1)


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, dirigia-Se Jesus para uma cidade chamada Naim; iam com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva. Vinha com ela muita gente da cidade. Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: «Não chores». Jesus aproximou-Se e tocou no caixão; e os que o transportavam pararam. Disse Jesus: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te». O morto sentou-se e começou a falar; e Jesus entregou-o à sua mãe. Todos se encheram de temor e davam glória a Deus, dizendo: «Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo». E a fama deste acontecimento espalhou-se por toda a Judeia e pelas regiões vizinhas.

Palavra da salvação.

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

Aceitai, Senhor, as nossas orações e, para servirmos dignamente ao vosso altar, protegei-nos com a intercessão dos vossos santos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO (cf. SL 67,4)
Os justos alegram-se na glória de Deus, exultam de alegria na sua presença.

 

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

Deus eterno e omnipotente, Pai de toda a consolação e da paz, fazei que a vossa família, congregada na festa memória dos santos para celebrar o louvor do vosso nome, receba na comunhão destes santos mistérios o penhor da redenção eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo

 

 

MÉTODO DE ORAÇÃO BÍBLICA:

 

 

1. Leitura:  - Lê, respeita, situa o que lês.

     - Detém-te no conteúdo de fé e da passagem que leste 

2. Meditação:  - Interioriza, dialoga, atualiza o que leste.

     - Deixa que a passagem da Palavra de Deus que leste “leia a tua vida” 

3. Oração:  - Louva o Senhor, suplica, escuta.

     - Dirige-te a Deus que te falou através da Sua Palavra.

LEITURAS


AGENDA DO DIA:

18.00 horas: Missa em Nisa

18.00 horas: Missa em Alpalhão.

 

 

A VOZ DO PASTOR:

 

 

 

O DIALETO DOS PAIS E AS DITADURAS IDEOLÓGICAS

Ao longo da História sempre houve promotores de ditaduras e de colonizações culturais e ideológicas. Se não é aqui, é acolá ou mais além. Colonizações, ditaduras, autocracias, teocracias, totalitarismos, autoritarismos, despotismos e todos os quejandos, mesmo que entre si carreguem alguma diferença, venha o diabo e escolha, como soe dizer-se. A quem lhes resiste, impõe-se logo a lei da rolha, do desprezo ou da morte. Os seus promotores logo conseguem uma caterva de seguidores, alguns mais radicais do que eles, para engrossarem as hostes e fazerem valer o seu produto tóxico. Se não vencem pelo bom senso e pela força da razão, acham-se no direito de vencer pela razão da força e seus enfeites. Logo se esmeram em concentrar o poder, em subverter a ordem anterior, em suprimir os espaços de debate e decisão, em influenciar a comunicação social, o poder legislativo e judicial. A par, roubam a liberdade e tentam monopolizar o direito de pensar e decidir, anulam o passado e afunilam o ensino para desconstruir a linguagem, as instituições e a história. Usam a mentira floreada com rebuscado imaginário, afastam os profissionais dos empregos e lugares de prestigio, formatam, desenraízam os jovens das origens culturais e religiosas para, como afirma o Papa Francisco, os ‘homogeneizar’, transformando-os “em sujeitos manipuláveis feitos em série”, causando “uma destruição cultural, que é tão grave como a extinção das espécies animais e vegetais” (cf. CV185-186). Tudo, tudo serve de arma para levar a água ao moinho, mesmo que, para enfeitar todo esse processo, seja preciso borrifá-lo com algumas meias-verdades e alguns mecanismos democráticos. A sofreguidão pelo poder e o bullying ideológico e cultural são, muitas vezes, camaleonicamente apresentados como “saltos civilizacionais” ou como se de direitos humanos se tratasse.

A Sagrada Escritura também nos elucida sobre alguns desses artesãos da História. Sabemos quanto o Povo de Deus, e outros povos, ontem e hoje, sofreram e sofrem pelos desmandos colonizadores e totalitários de alguns dos seus líderes! Não só por ambição do poder ou por causas ideológicas e políticas, também por questões religiosas. Com uma diferença: enquanto, por causas ideológicas ou políticas, alguém, para defender a pele, possa, porventura, fraquejar e dizer que não ao que é sim, ou sim ao que é não, em questões religiosas não é bem assim. Com a fé em Deus, se é fé verdadeira e não meros sentimentalismos religiosos ou pieguices proselitistas, não se jogam interesses, a consciência da presença e a força de Deus levam a antes quebrar que torcer.

O rei Antíoco Epifânio, por exemplo, quis forçar os judeus a adotar os costumes, a cultura e mesmo a religião dos gregos. Para ser mais fácil, tentou subornar e convencer os mais influentes dos judeus a aderir às suas ordens, prometendo amizade e recompensa. A resposta, porém, foi imediata e firme: “Não! Nós não vamos obedecer às ordens do rei”. E se uma musculada perseguição caiu sobre eles, também aumentou e se organizou a resistência na firme convicção de que é “melhor morrer na batalha do que ficar a olhar a desgraça do nosso povo”. Ou, como mais tarde haveriam de dizer Pedro e os Apóstolos, “é mais importante obedecer a Deus do que aos homens” (cf. At 5, 29).

O tempo de perseguição religiosa, porém, é sempre palco de testemunhas radicais da verdade, é cenário de testemunhos heroicos até ao sacrifício da própria vida. É verdade que há “mártires” de muitas outras causas nobres, justas e necessárias, tornando-se inspiração para outros e aos quais muitos devem a liberdade e o bem estar social nesta vida. No entanto, a palavra “martírio” situa-se mais no contexto religioso, faz parte da sua gramática e significa testemunho, aponta para o supremo bem que é a vida eterna. Neste contexto, se a família dos Macabeus, no que respeita à fé, é digna de registo, o episódio duma família de sete filhos não o é menos. Num só dia, a mãe vê torturar e matar cada um dos filhos, à vez, até que, por fim, também ela é torturada e morta. Se há fanatismo religioso e odiosamente doentio que persegue e mata quem não acredita de igual forma, se há, até, quem, habilidosamente manipulado, se torne pessoa bomba (kamikaze) para maiores estragos, há, sem dúvida, nestes processos, muitas outras razões associadas como, por exemplo, fatores culturais, sociais, políticos, psicológicos... São atitudes que não se podem analisar de ânimo leve ou superficialmente. No entanto, e simplificando, uma coisa é perseguir e matar os outros, ou suicidar-se, usando até, ilegitimamente, o nome de Deus para o fazer, outra coisa é suportar com fortaleza o dom do martírio em fidelidade a Deus que é Amor e nos ama infinitamente. Mais tarde, perante tanta perseguição aos cristãos, Tertuliano haveria de dizer que “o sangue dos mártires é semente de cristãos”. Ainda mais perto de nós, São Óscar Romero, sentindo-se perseguido por fomentar a liberdade, a justiça e a paz entre o seu povo, havia dito: “o martírio é uma graça de Deus que eu acho que não mereço, mas se Deus aceita o sacrifício da minha vida, que o meu sangue seja uma semente de liberdade e o sinal de que a esperança será em breve realidade”. Foi assassinado pelo exército salvadorenho enquanto celebrava a Eucaristia em 24 de março de 1980. Hoje, se muitos cristãos continuam a dar um testemunho sem igual no quotidiano da sua vida familiar, social e laboral, outros continuam a dar o supremo testemunho do martírio em defesa da fé em Cristo Jesus, morto e ressuscitado, ao qual estão unidos pela caridade. Foi o que aconteceu, por exemplo, no Domingo passado, no Sudão do Sul. Quando regressavam a casa depois duma celebração numa paróquia dedicada a Nossa Senhora da Assunção, duas religiosas foram mortas numa emboscada.

Mas voltando àquela mãe, é extraordinária a sua coragem e o seu sentido de responsabilidade na educação e perseverança da fé dos filhos. Até ao último momento, amparada pela esperança que tinha no Senhor, e tanto quanto naquela circunstância o podia fazer, não se cansou de exortar os seus filhos a serem fiéis ao Senhor e a não obedecerem ao rei, a serem dignos dos seus antepassados e a reconhecerem Deus que a tudo deu origem. A atitude dos filhos, porém, se consola a mãe, enerva o rei até ao limite, que, aquando do momento da tortura ao último filho, pede mesmo à mãe que lhe dê conselhos para o demover e lhe salvar a vida. Inclinando-se para o filho, a mãe, ludibriando o rei, falou-lhe na sua própria língua, a qual o rei não entendia: “Eu te peço, meu filho: Contempla o céu e a terra e observa todas as coisas que neles há, reconhece que não foi de coisas existentes que Deus as fez e que também o gênero humano tem a mesma origem. Não temas este verdugo, mas sê digno de teus irmãos e aceita a morte, para que eu te reencontre com eles no dia da misericórdia”. Enquanto ela ainda falava, o menino reafirma corajosamente a sua fé, é torturado e morto. Depois dos filhos, foi a vez da mãe.

Em tempos, o Papa Francisco, referindo-se a esta tirânica colonização cultural e ideológica do rei Antíoco, destacava a atitude da mãe. A mãe falava “na língua dos pais”: falava em dialeto, e, por isso, o rei não entendia, o intérprete não compreendia». Hoje “estamos diante de muitas colonizações que querem destruir tudo e começar de novo». Apresentam novos «valores» e dizem que «a história começa aqui», o resto «passou». No entanto, “não existe colonização cultural alguma que possa vencer o dialeto», o dialeto “tem raízes históricas”, a memória e o dialeto defendem-nos sempre.

A fé também se transmite em dialeto, afirmou Francisco: “A fé verdadeira aprende-se dos lábios da mãe, o dialeto que só a criança pode conhecer». “Este é um exemplo do modo como as mães, as mulheres, são capazes de defender um povo, a história de um povo, os filhos: transmitir a fé» (cf. L’OR7.12.17).

Quão importante é a transmissão da fé em família, pela palavra e pelo testemunho, pela alegria com que se vive e pela forma de a traduzir em atitudes de vida!

Antonino Dias

Portalegre-Castelo Branco, 20-08-2021.