quarta-feira, 4 de abril de 2012


ORAÇÃO PARA ENVELHECER BEM
                                (De um monje do sec. XII)

Senhor, Tu sabes muito bem
que estou envelhecendo a cada dia.
Não consintas que eu fale demais,
Ou que queira ter sempre opinião
sobre tudo e em qualquer ocasião.  

Livra-me do desejo de querer fazer tudo
 em vez dos outros.
Concede-me sensatez
e espírito de serviço sem me impor.
Guarda -me dos mexericos ou de ser cusco.
Dá-me a graça de reconhecer
que nem sempre sou competente,
e que às vezes até me engano.

Livra-me do desejo de comentar tudo
e de querer saber tudo.
Cerra a minha boca para não falar
das minhas dores e penas.
Concede-me o dom de escutar as penas alheias,
ajudando os outros a suportá-las com paciência.
Conserva-me razoavelmente amável 
e santamente alegre.

Nestes anos que me restam,
ajuda-me a suportar o peso da vida.
Há tanta coisa bela à minha volta,
e gostaria que todos os que me rodeiam
não as perdessem mas as admirassem.    
Amém.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

RETIRO EM NEMI


RETIRO EM NEMI

O retiro que estamos a fazer em Nemi durará uma Semana completa. O método é de um retiro de acompanhamento personalizado, ou seja: cada um faz o retiro como se fosse sozinho, mas acompanhado por outra pessoa. Os orientadores são o Pe. Martín, de Espanha, o Pe. Jorge Fernandes e uma Irmã Nieves espanhola, da Congregação das Adoradoras da Santíssima Eucaristia. O retiro será em silêncio total. Não haverá “distrações” com conversas. As próprias refeições serão em silêncio. O texto que se segue explica o que é e como funciona um retiro personalizado. A explicação serve para todos e poderá ser útil para alguém.

RETIRO ESPIRITUAL PERSONALIZADO

O QUE É?Um peregrinar na fé.

AJUDAS PRÁTICAS PARA UM RETIRO COM ACOMPANHAMENTO PERSONALIZADO:

1.     O Retiro é um tempo sagrado para estar com Deus Uno e Trino numa atitude orante e contemplativa. É deixar-se levar pelo Espírito ao Mistério da Santíssima Trindade, de onde emana toda a nossa missão. É também a vivência a nossa vocação religiosa e missionária no seguimento do Senhor como discípulos, chamados “a estar com Ele” e “ser enviados por Ele”.

2.     Duas importante mediações/sacramentos da presença de Deus e de sua mediação para nós:

a.     A Palavra de Deus vivificada pelo Espírito nas Sagradas Escrituras;  a nossa história pessoal, no contexto do nosso tempo, na vida dos povos e nas situações de fronteira onde estamos chamado a estar e a servir como religiosos-missionários.
b.     A EUCARISTIA:  Quando a celebramos como comunidade de discípulos, a presença de Deus, está entre nós em Jesus, o Emanuel, Deus-connosco. Isto se prolonga em adoração noturna ao Senhor Eucarístico.
c.      ADORAÇÃO: é também um tempo em que podemos estar em comunhão com a pastoral das situações missionárias do nosso mundo, como as vítimas das guerras, a violência, os afetado e infetados pela sida.

3.     Peregrinamos como COMUNIDADE DE DISCÍPULOS  reunidos/ convocados pela pessoa de Jesus e sua Missão. Durante o retiro, como comunidade, manteremos a nossa mútua comunhão através da oração e do silêncio. Diariamente nos apresentaremos uns aos outros na oração ao Senhor.
4.     LUGAR para rezar: escolhe um lugar onde te  “sintas em casa contigo mesmo”. Poderá ser o teu quarto, a capela, o jardim. O espaço para a tua oração será o teu santuário interior, o teu “eu profundo” como pessoa amada, preferida e redimida por Deus. O teu santuário interior será a tua comunidade interna.

5.     Permite que todo o teu ser esteja em oração: corpo, espírito, coração e mente. Alguns exercícios, tais como o respirar profundo, exercícios de relaxação, podem ajudar.

6.     TEMPO: Todo o retiro se realiza em espírito de oração, caminhando na presença de Deus. Ajuda o poder organizar os momentos intensos e as pausas para a reflexão  entre um e outro momento de oração. Recomendam-se quatro momentos fixos de oração durante o dia.

7.     Começa com o teu modo pessoal de fazer oração. Outras formas se podem ir desenvolvendo ao longo da caminhada. Permite que o Espírito reze em ti. O coração da oração é o encontro pessoal com Deus, “cara a cara, coração com coração”. Permanece na sua presença no diálogo, saboreando, sendo um com Ele.

8.     SILÊNCIO : Capacita para uma atitude interna de abertura à comunicação de Deus na oração. Compreende um espaço interior que capacita estar na presença de Deus, o processo de escuta e  de diálogo. O silêncio interior expressa-se pelo silêncio exterior. O silêncio externo fortalece o silêncio interior. As refeições serão em silêncio.

9.     FAZER MEMÓRIA da nossa oração ou revisão da oração. Depois de cada momento forte de oração, reserva uns minutos para fazer memória. Centra a tua revisão na tua experiência na tua oração, o que aconteceu. Podes perguntar-te:
-  Como é Deus me tocou durante este momento de oração.
-  Através de que texto da Escritura?
-  Que sentimentos me acompanharam durante este tempo?
-  Qual foi a experiência vivida durante a oração?
-  Experimentei resistências? Como as encarei?
-  Em que direcção precinto que o Espírito me está orientando?

10.                         FAZER UM DIÁRIO ESPIRITUAL: Podes escrever as memórias das tuas experiências de oração, do modo que te pareça melhor: por escrito, através de desenhos, imagens, símbolos poesia, etc. para exprimir a tua experiência espiritual. Isto te pode ajudar a perceber os caminhos do Espírito na tua caminhada, e proporcionar que os recordes em outros momentos da tua vida.

domingo, 1 de abril de 2012


DIA DE RAMOS

O dia de hoje está marcado por dois acontecimentos muito importantes: Dia de Ramos – Início da Semana Santa, e o começo do Retiro Espiritual dos participantes da Curso para a Terceira Idade.

A cerimónia da bênção dos Ramos e procissão foi presidida pelo Pe. Tony Pates, que em diversas línguas orientou a celebração. De facto estiveram presentes não só os participantes

do Curso para a Terceira Idade, mas também os que participam no Curso de Formadores na Congregação do Verbo Divino. Assim comunitariamente demos início à Semana Santa tendo como particularidade que estavam representados todos os continentes.

COMEÇO DO RETIRO

Pela tarde noite começou o retiro para os participantes do Curso para a Terceira Idade. Vai ser um retiro com acompanhamento personalizado. Terminará na Vigília Pascal. Um retiro é sempre uma aventura: sabemos como e onde começamos, mas não sabemos onde termina, ou seja: a onde Deus nos chama. Espírito de disponibilidade é o que Deus pede no começo. O retiro também pode ser comparado a um caminho que ainda não percorremos totalmente, mas para cuja caminhada fomos chamados.

sábado, 31 de março de 2012


CHEGADA DO GRUPO DE FORMADORES


O dia ficou marcado pela chegada dos formadores, que iniciaram a sua formação no berço da Congregação, em Steyl. Durante esse tempo foram a Goch e outros locais, importantes para a compreensão da nossa espiritualidade. Daí  a Oïes e rumaram para Nemi.

Este grupo traz a marca verbita: representam os cinco continentes, sendo na maioria asiáticos.

Neste grupo de formadores vem o nosso Pe. Constantino, congolês, que trabalha em Tortosendo, Covilhã.


Durante o jantar fomos todos mutuamente apresentados. A boa disposição foi a característica desta refeição de missionários mais velhos e mais novos. O grupo formado pelos de língua espanhola e portuguesa manifestaram logo os traços comuns que nos caracteriza.

Do grupo da Índia vem o Pe. Salvador Carvalho, goês, que conhece bem o nosso Pe, Pradeep  , que está em Almodôvar. Na Congregação do Verbo Divino há algo que ultrapassa a globalização: acontece a  comunhão entre culturas e povos.

sexta-feira, 30 de março de 2012


O dia em Nemi

Em Nemi, sob um sol primaveril, o curso da terceira idade continuou no seu ritmo normal. O Pe. Miguel McGuiness, com o agrado geral, continuou o tema sobre os votos religiosos.

Um grupo de leigos da cidade de Albano, que veio para um fim de semana de reflexão, fez-nos companhia durante o jantar.

O dia terminou com um serão dedicado ao Brasil. Foi apresentado um CD da Verbo Filmes sobre as Comunidades de Base, onde a Igreja aparece com um rosto popular, acolhedor e participativo.

Como não poderia faltar a famosa caipirinha, o Pe. Agostinho fez o favor de inventar um modo de no-la apresentar, embora sem a caraterística aguardente de cana. Mas serviu de tal modo que as vozes ficaram suficientemente fortes para as canções brasileiras.

Catequese sobre S-ao Paulo - 1ª Parte


PARÓQUIA DE ALMODÔVAR
Catequese semanal
____________________________

PAULO, APÓSTOLO
DE JESUS CRISTO

Autor: Pe. José Maria Coelho
Introdução:
          O nome de Paulo aparece como autor de 13 Cartas do Novo Testamento, escritas a diferentes comunidades, ao longo de uns cinquenta anos. Não sabemos ao certo quem e como se fez a colecção do chamado “Corpus Paulino”. Esta colecção contém as Cartas “proto-paulinas” – ou seja, as autênticas, as que ele próprio escreveu – e as deutero-paulinas, escritas talvez pelos seus discípulos. São proto-paulinas: Romanos, Gálatas, 1 Tessalonicenses, 1 e 2 Coríntios, Filipenses e Filémon; as deutero-paulinas – escritas entre 70 e 100 – são as “Cartas Pastorais” – 1 e 2 Timóteo, Tito – e as restantes: Efésios, Colossenses, 2 Tessalonicenses. Ao todo, treze Cartas. No fim do séc. II, a colecção das treze “Cartas de Paulo” (lista que incluía frequentemente Hebreus) estava feita e era aceite em toda a Igreja como Palavra de Deus (ver 2 Pe 3,15-16).
I.                  O APÓSTOLO PAULO

1.     Quem é Saulo de Tarso?
          Paulo nasceu em Tarso, cidade situada na costa sul da actual Turquia, perto da Síria. A sua família era judia e os seus antepassados eram naturais da Galileia, a terra de Jesus. Ao nascer puseram-lhe o nome de Saul – que em grego se transformou em Saulo. Anos depois, quando cristão e missionário, tomaria o nome latino de Paulo pelo qual é conhecido.
Desconhecemos a data de nascimento, mas sabemos que esteve presente na lapidação de Estêvão – ocorrida em Jerusalém, no ano 36 – quando ainda era jovem, o que nos leva a concluir que teria nascido por volta do ano 10.
          Os bons conhecimentos que Paulo tem do grego fazem-nos pensar que teria passado em Tarso a infância e a adolescência. Mais tarde, mudou-se para Jerusalém para aprofundar os seus estudos da Bíblia, na escola do rabino Gamaliel, preparando-se assim para ser também rabino. Talvez Paulo nunca tenha chegado a conhecer Jesus antes da sua ressurreição, tendo recebido de outros o que sabia da sua vida.

2.     A conversão de Paulo
·         Não sabemos com rigor o momento da conversão de Paulo, mas talvez esteja relacionada com o martírio de Estêvão e com a perseguição aos cristãos que aconteceu no ano 36, quando a Palestina esteve uns meses sem Procurador romano e o Sinédrio gozava de autonomia para tomar decisões de tamanha importância.
·         próprio Paulo, e também Lucas, seu discípulo e colaborador, contam-nos a conversão de Paulo a caminho de Damasco como um momento decisivo na sua vida. Foi um encontro pessoal com Cristo ressuscitado, com o Senhor, que levou Paulo a deixar todas as suas convicções religiosas judaicas para adoptar uma nova fé e um novo estilo de vida: o cristão. Foi esta experiência que transformou Paulo em Apóstolo de Cristo.

·         Depois da sua conversão, Paulo foi baptizado e ficou em Damasco com a comunidade cristã durante algum tempo. Partiu então para a Arábia – assim se denominava então a região ao sul do Mar Morto – donde regressou a Damasco para pregar o Evangelho. Ao fim de três anos, foi a Jerusalém para conhecer Pedro e os outros membros da comunidade. A oposição que lhe fizeram os judeus de Jerusalém, que antes o contavam entre os seus e agora o consideravam inimigo, levou-o a mudar-se para Tarso, sua cidade natal. Passados quatro anos, foi procurado por Barnabé que vinha de Jerusalém e o levou para Antioquia, então capital da Síria, onde uma jovem comunidade cheia de vida se tinha lançado a anunciar o Evangelho aos gregos ali residentes. Foi lá que os discípulos de Jesus receberam pela primeira vez o nome de cristãos. Em Antioquia decidiram mandar missionários a outras cidades gregas e para essa missão escolheram Paulo, Barnabé e Marcos. Assim começaram as viagens missionárias de Paulo.

3.     Paulo, missionário do Evangelho
·         Paulo sentiu a necessidade de levar a mensagem salvadora de Jesus a todos os homens; até chegou a dizer: «Ai de mim se não anunciar o Evangelho!» (1 Cor 9, 17). Fez diversas viagens por terras das actuais Turquia e Grécia para pregar o Evangelho às pessoas de cultura grega.

1ª Viagem
          Durante a primeira viagem missionária. Paulo e Barnabé percorreram Chipre – onde Paulo deixou o nome grego de Saulo e tomou o latino de Paulo – e o sul da actual Turquia: as cidades de Atália. Perge, Antioquia da Pisídia, Icónio, Listra e Derbe. São nomes que hoje nos parecem estranhos e de que nos restam uns montões de minas; mas que naqueles tempos eram cidades florescentes, cheias de vitalidade. O facto de Paulo ter chegado até aos seus habitantes pressupõe um grande progresso da Boa Nova. Durante a viagem de regresso voltaram a visitar as comunidades cristãs que tinham fundado, para as animar e organizar numa maior estabilidade.
2.ª Viagem
          Na segunda viagem, Paulo visitou estas mesmas cidades e seguiu mais para a frente até chegar à costa ocidental da Turquia, donde passou para a Grécia. Lá percorreu as cidades de Filipos, Tessalónica, Atenas e Corinto. Seguidamente embarcou para Éfeso, na actual Turquia e daí para Jerusalém, a visitar as comunidades cristãs que tinham fundado, para as animar e organizar numa maior estabilidade.

3ª  Viagem
·         Paulo começou a terceira viagem, a mais comprida de todas, em Antioquia, donde se dirigiu para a região dos Gálatas – no centro da actual Turquia. Passou dois anos em Éfeso, onde escreveu algumas das suas cartas, dirigidas às comunidades que tinha visitado anteriormente. Depois visitou novamente as cidades gregas onde tinha fundado comunidades cristãs na segunda viagem. Durante esta terceira, realizou uma colecta a favor da comunidade de Jerusalém, que estava a atravessar tempos difíceis.
·         Em todas as viagens, Paulo seguiu sempre a mesma táctica: começava a pregar aos sábados na sinagoga do lugar; quando os judeus, escandalizados com a sua pregação, o expulsavam da sinagoga, então, com os poucos judeus convertidos, dirigia-se aos pagãos, que costumavam recebê-lo melhor. Assim foram nascendo as primeiras comunidades cristãs de origem não judaica.

4.    Últimos anos de Paulo
No ano 58, ao chegar a Jerusalém, depois da terceira viagem, Paulo foi preso no Templo por judeus procedentes da região de Éfeso que o reconheceram. Acusaram-no de promover a violação da lei de Moisés e de introduzir no recinto do Templo um pagão. Tentaram linchá-lo imediatamente, mas foi salvo por um destacamento romano de guarda. O chefe romano de Jerusalém, com medo dos judeus, enviou Paulo ao governador Félix, que residia em Cesareia. O governador romano pretendia obter dinheiro de Paulo em troca da sua liberdade. Depois de dois anos de prisão em Cesareia, Paulo, como cidadão romano que era, apelou ao tribunal de César e foi mandado para Roma a fim de ser julgado.
5.     ª Viagem
Foi esta a quarta viagem de Paulo de que temos noticia. Em Roma esteve mais dois anos em prisão domiciliária. Durante a sua estada nesta cidade, deve ter escrito a Carta aos Colossenses. A partir daqui perdemos a pista do Apóstolo.  



O martírio de São Paulo
A tradição situa o martírio de Paulo em Roma, mas a data não é segura; estabelece-se como data mais provável o ano 67. Não sabemos, no entanto, o que é que Paulo fez durante estes anos.

quinta-feira, 29 de março de 2012

ORAÇÃO PELOS MAIS PRÓXIMOS


OS VOTOS RELIGIOSOS VIVIDOS HOJE

Na sequência do tema apresentado pelo Pe. Abreu, o Pe. Miguel McGuiness, responsável na casa de Nemi, iniciou hoje, segundo o programa previsto para o curso de Terceira Idade, o tema dos votos religiosos, na perspetiva do testemunho profético para época pós moderna em que vivemos. Pe. Miguel, embora irlandês por nascimento, fala fluentemente português, pois trabalhou no Brasil por trinta anos.

ORAÇÃO PELOS MAIS PRÓXIMOS

Hoje, Pai, quero pedir-Te
pela minha família e pelos meus vizinhos.
Tu nos conheces a todos pessoalmente:
nos conheces pelo nome e pelo apelido,
conheces as nossas alegrias e penas,
as nossas capacidades e defeitos,
conheces a história de cada uma e de cada um .

Tu nos aceitas como somos
e nos vivificas com o teu Espírito.

Tu, Senhor, nos amas a todos,
não porque sejamos bons,
mas porque somos tuas filhas e teus filhos.

Ensina-me  aceitá-los e  aceitá-las como Tu,
não pelo que dizem ou fazem, mas pelo que são.
Ensina-me a descobrir em cada uma e em cada um,
especialmente nos mais fracos,
o mistério do teu amor infinito.

Dou-te graças, Pai,
porque puseste junto da minha porta
irmãs e irmãos.
Todos são para mim uma oferta,
um verdadeiro sacramento,
sinal vivo, sensível e eficaz
da presença do teu Filho.

Concede-me o olhar de Jesus para os contemplar.
Concede-me um coração semelhante ao d’Ele,
para os amar sem limites,
porque também quero ser para cada uma  e para cada um
“sacramento” vivo da presença de JESUS.