quarta-feira, 21 de março de 2012


Um dia de peregrinação

Hoje foi um dia de viagem, no intuito de irmos ao encontro das raízes da nossa espiritualidade missionária. Fizemos 735 quilómetros de autocarro para nos encontrarmos com os caminhos de São José Freinademetz, primeiro missionário Verbita na China.

É uma sensação profunda estarmos hospedados na mesma casa onde ele viveu e estudou: o Seminário diocesano de Bressanone..

Logo que chegamos, concelebramos na mesma Igreja onde foi ordenado sacerdote; andámos, já de noite, pelas mesmas ruas por onde andou.

Mas isto é o exterior. O mais importante é trilhar os caminhos da fé a exemplo dele. A sua vida espiritual não foi um mundo de rosas. Antes, um contínuo ultrapassar-se, não se deixando abater pelas dificuldades.

É alentador para nós, que vivemos num mundo que não percebe nada de perseverança e força em vencer as dificuldades, perceber como São José Freinademetz foi capaz de escutar os caminhos de Deus no meio das dificuldades.

O DIA EM IMAGENS




terça-feira, 20 de março de 2012






Maratona de Roma







Peregrinando a São Pedro acompanhando a maratona


Visitando Amigos










Peregrinação a Oïes

Todo o grupo do Curso de Terceira Idade de Nemi  parteamanhã Quarta feira em peregrinação a Oïes, terra natal do nosso santo primeiro missionário José Freinademetz . Espera-nos o frio e neve do Tirol, mas também a certeza do calor da fé que fez com que este homem deixasse a sua linda terra e ir para a desconhecida China anunciar o amor de Deus. Voltaremos Sábado, desejamos,  que mais encorajados em continuar a missão de Jesus Cristo.


AS NOSSAS MÃOS SÃO A TUAS, SENHOR.

Jesus, não tens mãos,
tens as nossas mãos
para construir um mundo
onde haja justiça.

Jesus, não tens pés.
Tens os nossos pés
para por em marcha
a liberdade e o amor.

Jesus, não tens lábios.
Tens os nossos lábios para anunciar
a Boa Nova aos pobres

Jesus, não tens meios.
Tens a nossa ação
para conseguir que homens e mulheres
sejam irmãos.

Jesus, nós somos o teu Evangelho,
pois o único Evangelho
que o mundo pode ler
são as nossas vidas .
Amém.

Uma falha da internet impossibilitou ontem a comunicação. Inserimo-la na folha de hoje
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São José



Pe. José Antunes 
orientou os
trabalhos de hoje.










O Pe. José Antunes falou sobre São José Freinademetz e Santo Arnaldo Janssen, situando-os no seu tempo, e sobre o desafio que representam para nós, sobretudo a partir dos valores e convicções que pautaram as suas vidas. 


DIA DE S. JOSÉ

Liturgicamente celebramos São José, esposo de Maria a Mãe de Jesus. Recordamos na oração os “Josés” presentes e os que conhecemos, as comunidades e paróquias a ele recomendadas. Foi uma festa em família, recordando todas as famílias.

Oração a S. José

Ensina-nos, José:
Como se pode ser “não protagonista”,
como se avança “sem pisar alguém”,
como se colabora “sem se impor”,
como se ama, sem reclamar?

Diz-nos, José:
como se vive sendo o “número dois”
como se fazem coisas fenomenais,
ocupando um “segundo lugar”?

Explica-nos, José:
Como se pode ser grande “sem se exibir”,
como se luta sem esperar “aplauso”,
como se avança “sem dar nas vistas”?

Aconselha-nos, José:
como se vive e morre
“sem esperar uma homenagem “?

domingo, 18 de março de 2012

Senhor...

O DIA EM NEMI

Ir a Roma e ver o Papa…
peregrinar e “participar” na maratona

Assim foi hoje. Na programação livre a maior parte dos participantes optou por ir a Roma. Outros propuseram-se outras maneiras de passar o Domingo.
O Dia começou cedo: Missa às 07.30 horas. Não há nada como começar o dia em conjunto e juntos com Deus.

Depois, em autocarro privativo, fomos para Roma, desembarcado junto da Casa dos Missionários do Verbo Divino, onde mais tarde devíamos almoçar.

Os que fomos a Roma, tínhamo-nos previamente subdivido em grupos. Os portugueses, Pe. Jorge Fernandes, Pe. José Antunes e o Pe. Valente,  decidimos ir à Praça de S. Pedro para rezarmos o Angelus com o Papa.
Mas, demo-nos conta de que estava a decorrer a maratona de Roma e o trânsito estava cortado e suprimidos muitos autocarros.

Decidimos então ir a pé, acompanhando ao longo do passeio a maratona que era percorrida na mesma direção por dezenas de milhares de pessoas. Assim, sem nos darmos conta, fizemos cerca de 6 quilómetros a pé, “participando” nessa maratona.

Mas valeu a pena: as ruas habitualmente saturadas de trânsito, estavam livres de carros e sem fumo. As pessoas corriam na mesma direção, como se todas tivessem o mesmo querer e sentir.

Lembrei-me de uma frase que fora dito numa das novas reuniões de psicologia: o que faz com que duas pessoas se amem não é passarem o tempo a olhar uma para a outra, mas quando as duas olham na mesma direção. Que bom seria se na sociedade  a maratona fosse um sinal...

Em São Pedro, o Papa falou de conversão, de misericórdia e, sobretudo, do sacramento da confissão. Comparou: “se um doente não reconhece que está doente, não se cura, mesmo que vá ao médico. O mesmo connosco quando nos confessamos e não reconhecemos a desgraça do pecado: não nos emendamos”.

O regresso de São Pedro foi igual à ida: quando quisemos entrar no autocarro, um motorista deu-nos apenas um conselho muito conciso: ”ide a pé, porque este autocarro só recomeça daqui a 5 horas”… Olhamos uns para os outros e para o lado: não havia táxis naquela zona, tínhamos 6 quilómetros pela frente e o estômago vazio. Mais leves e com passo ligeiro caminhamos pela cidade toda essa distância. Foi mesmo uma peregrinação e uma mini maratona pela cidade de Roma!

Pensamentos:

Meu Senhor…

Ajuda-me  a dizer a verdade
diante dos fortes…
E a não dizer mentiras para atrair
o aplauso dos fracos.

Se me deres fortuna, não me retires o raciocínio.
Se me deres o êxito não me retires a humildade.

Se me deres a humildade, não me retires a dignidade.
Ajuda-me a ver sempre o outro lado da medalha.
Não permitas que culpe os outros
por não pensarem como eu.

Ensina-me a gostar dos outros como gosto de mim mesmo.
Não permitas que caia no orgulho se triunfar,
nem no desespero se fracassar.

Faz-me lembrar que
o fracasso é a experiência que precede o triunfo.
Ensina-me que perdoar
é um sinal de grandeza
e que a vingança é um sinal de baixeza.

Se me retirares o êxito,
Deixa-me forças para aprender com o fracasso.
Se ofender as pessoas,
dá-me forças para pedir desculpa;
e se as pessoas me ofenderem,
dá-me forças para perdoar.

Senhor… se me esquecer de Ti,
nunca te esqueças de mim!

sábado, 17 de março de 2012

A Semana em Nemi


A semana em Nemi

A semana decorreu praticamente sob a orientação do Pe. Pio Estepa svd, sociólogo e missionólogo. Foi surpreendente! A profundidade da visão do mundo, da Igreja e da sociedade emergente constituiu uma surpresa para todos nós. Foi na verdade um ouvir e pedir mais.

O método de análise e a análise em si mesma constituiu uma novidade para todos. Mais do que uma vez ficámos sem voz quando nos desafiava tirar as consequências pastorais de uma realidade que vemos todos os dias mas sobre a qual não refletimos, quer por falta de tempo quer por falta de instrumentos de análise.

O Sábado de manhã foi preenchido com uma exposição clara e muito esclarecedora de uma médica, Drª Anna Maria Sansone, que nos falou sobre o tema: “Saúde integral na terceira idade.

Pela tarde descemos ao lago de Nemi e mergulhamos um pouco na história de Nemi. O lago foi muito apreciado pelo imperador Calígula que construiu e deixou nele duas barcaças, que foram destruídas durante os bombardeios da última guerra mundial. Podemos admirá-las no museu local, em duas réplicas construídas numa escala de 5 para 1.

O Pe. José Antunes, provincial da província portuguesa do Verbo Divino, orientará a primeira parte da próxima semana. Após uma boa viagem, chegou, depois do meio dia, ao aeroporto de Fiumicino, em Roma. Na chegada, à sua espera no aeroporto, estavam os Pe. Jorge Fernandes e Pe. Joaquim Valente.



MAHATMA GHANDI
Alguns pensamentos


Tudo o que se coma sem necessidade, é um roubo ao estômago dos pobres.

O jejum é para a alma o que os olhos são para o corpo.

O verdadeiro progresso social não consiste em aumentar as necessidades, mas em reduzi-las voluntariamente; mas para tal é preciso ser-se humilde.

A pureza dos meios deve ser igual à pureza dos fins.

A verdade é totalmente interior. Não é preciso procurá-la fora de nós nem realizá-la lutando com violência contra inimigos exteriores.

Todo o direito que não suponha um dever não merece defesa.

Está bem falar de Deus quando se tomou um bom pequeno almoço e se espera almoçar ainda melhor; mas é impossível aquecer-se ao sol da divina presença quando à tua porta batem milhões de pessoas famintas.

Rezar não é pedir: é o respirar da alma.

O amor e a verdade estão tão unidos que é praticamente impossível separá-los; são como as duas caras de uma mesma moeda.

O amor é o meio, a verdade é o fim; se usamos o meio, mais cedo ou mais tarde alcançaremos o fim, que é o amor de Deus.

O que se alcança pela violência, só pela violência se mantém; a violência é o medo pelos outros.

Mahtma Ghandi

sexta-feira, 16 de março de 2012

Catequese


Paróquia de Almodôvar
ATOS DOS APÓSTOLOS I

1.   A Ressurreição de Jesus
Por: Pe. José Maria Coelho
1. Voltamos ainda, por breves momentos, ao evangelho de Marcos, para nos fixarmos na ressurreição de Jesus.
Aquelas mulheres corajosas que acompanharam Jesus na hora da Sua Paixão, no primeiro dia da semana, vão ao sepulcro para ungirem o Seu corpo. Porém, quando chegam, encontram o túmulo vazio e um jovem que lhes comunica: «Ressuscitou, não está aqui»(Mc16, 6).
Felizmente o sepulcro estava vazio! Sim, porque se ele não estivesse vazio, era sinal de que Jesus continuaria no reino dos mortos e, deste modo, cairia em descrédito tudo quanto havia dito e ensinado. Toda a sua vida e também a sua morte teriam sido um fracasso. Mas o sepulcro estava vazio. Cumprira-se o que Jesus anunciara aos discípulos: «O Filho do Homem será entregue às mãos dos homens e eles matá-Io-ão e, morto, depois de três dias Ele ressuscitará» (Mc 9,31).
Há quem ponha em causa o valor do sepulcro vazio como prova da ressurreição de Jesus. Alguns põem a hipótese de os inimigos de Jesus terem roubado o seu corpo, para afligirem e enganarem os Apóstolos. Mas esta teoria não tem qualquer fundamento ou consistência. Se eles tivessem em seu poder o corpo de Jesus, no momento em que os Apóstolos anunciavam a Sua ressurreição, teriam apresentado o cadáver, para assim desmentirem a sua pregação. Ora isso não aconteceu.
Segundo outros, teriam sido os apóstolos a roubar o corpo do Mestre, para, desta forma, iludirem os seus contemporâneos. Mas também esta hipótese não tem qualquer consistência. Na verdade, se eles tivessem consigo o corpo de Jesus, como explicar que eles continuassem a anunciar a sua mensagem, a proclamar a sua ressurreição, quando já eram perseguidos, encarcerados (e alguns martirizados) por causa do nome de Jesus?
Dificilmente alguém dá a sua vida por um vivo! Mas ninguém dá a sua vida por um cadáver! Não tinha sentido algum continuar a seguir Jesus, arriscar a sua própria vida, se não estivessem animados por uma certeza inabalável: Jesus continuava vivo.
          A Ressurreição de Jesus
2.       Na verdade, não temos apenas o sepulcro vazio a testemunhar a ressurreição de Jesus, temos também as aparições. Marcos refere que Jesus apareceu, em primeiro lugar, a Maria Madalena. Depois, apareceu a dois discípulos (muito provavelmente os dois discípulos que se dirigiam para Emaús). Finalmente, manifestou-se aos Apóstolos (16,14). Os restantes evangelistas e São Paulo registam ainda outras aparições, confirmando, deste
modo, que a ressurreição de Jesus não é uma invenção dos Apóstolos e dos cristãos dos primeiros tempos, mas merece todo o crédito, pois foi testemunhada por muitas pessoas e em diversas circunstâncias.
3.       É este Jesus ressuscitado, este Senhor da vida e da morte, que confia aos Apóstolos a tarefa de continuarem a sua missão na terra: "Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura" (Mc16,15). O Evangelho que os Apóstolos devem proclamar é o próprio Jesus, a Sua vida e a Sua mensagem, sobretudo o Seu mistério pascal. E esta Boa Nova deve ser proclamada a todas as pessoas, a todos os povos, em todos os tempos.

2. Actos dos Apóstolos: autor, data e personagem

O evangelista São Lucas, para além do seu evangelho, escreveu uma segunda obra conhecida pelo nome de Actos dos Apóstolos. Através dela, Lucas quer mostrar que os Apóstolos cumpriram o mandato de Jesus, que continuaram a sua missão e que o evangelho chegou até ao mundo pagão.
          Esta obra, escrita por volta do ano 85, quando o Evangelho já tinha atravessado as fronteiras de Israel e penetrado no vasto império romano (o mundo pagão), só nos relata alguns dos acontecimentos, considerados mais significativos, da intensa actividade missionária dos Apóstolos e discípulos. Embora o livro se chame Actos dos Apóstolos, ele está dominado pela acção de Pedro e Paulo. Pedro aparece na primeira parte (cc.1-15). Paulo é o protagonista principal de tudo o que é narrado na segunda parte (cc.16-28).
3. Os Apóstolos continuam a missão do ressuscitado
          No início da sua obra, Lucas começa por recordar os grandes acontecimentos da vida de Jesus que vêm narrados nos evangelhos: o que fez e ensinou, a sua paixão, ressurreição e ascensão (1,1-5). Recorda também as últimas palavras e recomendações dirigidas aos Apóstolos: «... recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra» (1,8).
          Não basta pregar. É necessário ser testemunha. Os Apóstolos devem testemunhar o que viram e ouviram durante toda a vida pública de Jesus, isto é, desde o baptismo de João até ao dia em que Jesus foi arrebatado para o céu.
          Toda a vida de Jesus, segundo os Evangelistas, se orienta para Jerusalém. Nesta cidade, Jesus conclui a sua missão na terra. Ora, onde Jesus termina a sua missão deve começar a missão dos Apóstolos. Assim, é posta em evidência a continuidade que existe entre Jesus e os Apóstolos, entre a acção e missão de Jesus e a acção e missão dos Apóstolos. Jerusalém é o ponto de partida. Porém, a meta a alcançar será os confins da terra. Na realidade, o livro dos Actos termina quando Paulo chega a Roma, a capital do mundo pagão.
          Para que os Apóstolos possam levar a bom termo a missão que lhes é confiada, Jesus promete-   -lhes o Espírito Santo. Este é o Espírito da verdade que dará força e coragem aos Apóstolos e lhes ensinará toda a verdade, ou seja, ajuda-Ios-á a compreenderem perfeitamente a vida e a mensagem de Jesus que eles devem anunciar e testemunhar.
3.1. A acção do Espírito Santo na pregação dos Apóstolos
1. Esta promessa cumpre-se no dia da festa do Pentecostes (Act 2,1-4). Com efeito, o Espírito Santo desce sobre os Apóstolos, no dia em que os Judeus celebravam a festa do Pentecostes. Esta festa tinha lugar 50 dias após a Páscoa. Era, antes de mais, uma festa agrícola, ligada à cereais, no início do Verão. A partir do séc. III a.C., os judeus celebravam também, nessa altura, o dom da Lei. Lei que Deus entregara ao povo, por ocasião da aliança do Sinai.

          Foi nesse dia que «todos ficaram repletos do Espírito Santo...» (2,4). E é nesse mesmo dia que os Apóstolos, na pessoa de Pedro, começam a proclamar o Evangelho na cidade de Jerusalém, cumprindo a ordem do Senhor. Pedro dirige a palavra a todos aqueles judeus que acorreram até às imediações do Cenáculo, movidos pelos sinais extraordinários que acompanharam a descida do Espírito Santo.
          2. Pedro começa por mostrar aos seus ouvintes que tudo, quanto acaba de acontecer, já tinha sido anunciado por meio do profeta Joel: «Sim, sobre os meus servos e minhas servas derramarei o meu Espírito...» (JI 3,1-5). Em seguida, anuncia-lhes Jesus de Nazaré, centrando-se no mistério da Sua morte e ressurreição: «...vós que matastes, crucificando-O pela mão dos ímpios. Mas Deus O ressuscitou, libertando-O das angústias da morte" (2,23-24). Muitos, naquele dia, acreditam em Jesus e recebem o baptismo.
          Reparai na força e coragem que o Espírito Santo infunde nos Apóstolos. Aqueles que antes estavam fechados no Cenáculo, com medo dos Judeus, agora anunciam com entusiasmo o Evangelho de Jesus! Por outro lado, o Espírito Santo, que é Espírito de amor e de verdade, permite que muitos compreendam e aceitem a pregação dos Apóstolos. O episódio das línguas pode entender-se deste modo: o mesmo Espírito Santo possibilita que povos diferentes, que falam diversas línguas, escutem a mesma linguagem do Evangelho, que é a linguagem universal do amor. Ao tempo em que Lucas escreveu os Actos, isto já era realidade. Nos diversos do império romano, havia pessoas que se encontravam unidas pelo mesmo Evangelho, pela mesma força do Espírito Santo.
          3. A partir de Jerusalém, o Evangelho chega à Samaria, sobretudo através da acção do diácono Filipe. Na Samaria, já estivera Jesus. Todos nós recordamos o episódio de Jesus com a mulher Samaritana, junto ao poço de Jacob. No entanto, é com Filipe que tem lugar o início da evangelização dos habitantes daquela região. Também aí, é com entusiasmo e alegria que as pessoas escutam e acolhem o Evangelho: «E foi grande a alegria naquela cidade» (8,8).
          3.2. O Evangelho é anunciado aos pagãos
          1. Importa também referir que é Filipe quem anuncia Jesus Cristo a um etíope, um alto funcionário de Candace, rainha da Etiópia (8, 27). Este homem não pertencia ao povo judaico, mas era adorador do Deus de Israel e, nessa condição, viera ao templo de Jerusalém. Quando regressava à sua terra, lia um texto do profeta Isaías que dizia respeito a Jesus. Mas, como ele ainda não tinha ouvido falar de Jesus, não conseguia compreender a mensagem do texto. É então que aparece junto dele o diácono Filipe que lhe explica o texto de Isaías aplicando-o a Jesus Cristo: «Como ovelha foi levado ao matadouro..." (Is 53,7-8). Ouvida a explicação de Filipe, o etíope adere a Jesus e pede o baptismo. Deste modo, o Evangelho chega bem longe das fronteiras de Israelà Etiópia.
          Este episódio vem dizer-nos que o homem, só por si mesmo, com dificuldade chega ao verdadeiro conhecimento do Deus de Jesus Cristo.
          2. Avancemos até ao capítulo 10. Surge de novo em acção o apóstolo Pedro. Iluminado por Deus, Pedro é chamado a anunciar o Evangelho a um homem pagão, Cornélio. Este homem era um centurião romano e vivia na cidade de Cesareia marítima. «Era piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa; dava muitas esmolas ao povo judeu e orava a Deus constantemente» (10, 2).
          Lucas dá-nos conta de uma visão de Pedro, em que Deus lhe revela claramente que o Evangelho se destina também aos pagãos, sem necessidade destes se submeterem às leis dos judeus. Na verdade, entre os cristãos de origem judaica, havia alguns que hesitavam em anunciar o evangelho aos pagãos e outros queriam que os pagãos aceitassem as leis e costumes dos judeus, antes de serem admitidos à fé e ao baptismo. Ora, através dessa visão, Pedro compreendeu que todas essas posições não tinham qualquer razão de ser.
          E em casa de Cornélio inicia o seu discurso com estas palavras: "Dou-me conta, em verdade, de que Deus não faz distinção de pessoas, mas que, em qualquer nação, quem O teme e pratica a justiça Lhe é agradável" (10,34-35). Com estas palavras, Pedra quer dizer que Deus ama todos os homens e quer a salvação de todos. O que distingue os homens diante de Deus não é o facto de pertencerem a este ou àquele povo, mas praticarem ou não a justiça e procuram sinceramente a Deus. E a mensagem de Pedro a Cornélio é confirmada com a descida do Espírito Santo: «Pedro estava ainda a falar... quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a Palavra" (10,44). Se o Espírito Santo desce sobre Cornélio e sobre todos aqueles que escutam e aceitam a Palavra de Deus, independentemente da sua proveniência, os judeus devem entender e aceitar que os gentios são chamados à salvação e não se lhes pode negar o baptismo. «Poderia alguém recusar a água do baptismo para estes, que receberam o Espírito Santo assim como nós?» (10, 44). Abriam-se assim as portas ao anúncio do Evangelho entre os pagãos.
          Conclusão
          O livro dos Actos prossegue o relato da expansão do cristianismo, destacando a fundação da Igreja de Antioquia e a actividade missionária de Paulo. Este, desde Antioquia levará o Evangelho até Chipre, Ásia Menor (actual Turquia), Grécia (Tessalónica, Filipos, Atenas, Corinto) e também anunciará o Evangelho na cidade de Roma.